Fonte: [+] [-]

Exposição: O MUNDO DE TIM BURTON







Exposição: O MUNDO DE TIM BURTON                                                       (publicado: 02/2016)


Por Fábio Yamaji

O evento mais aguardado pelos cinéfilos neste ano pode não ser plenamente satisfatório se tomarem como referência as muito bem sucedidas exposições anteriores do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS/SP). Stanley Kubrick, Castelo Rá-Tim-Bum e David Bowie traziam farto material de acervo conhecido pelo público - da telona, da telinha e dos shows (no caso de Bowie). O deleite maior nestes passeios era reconhecer figurinos, objetos de cena e cenários. O machado e os vestidos das gêmeas de O Iluminado, o macacão-vinil de Bowie entre outras vestimentas, a árvore e os bonecos do Castelo...

Em O MUNDO DE TIM BURTON não veremos a armadura do Batman, as tesouras de Edward, o vestido da Alice ou o chocolate premiado. E a exposição não foca em seus colaboradores habituais, como Danny Elfman, Johnny Depp ou Helena Bonham Carter – que no máximo são citados em um item ou outro (a carta a Depp é especial). Aliás, poucas peças referentes a seus longas-metragens vieram pra serem mostradas. São basicamente desenhos de concepção. E isso encucou parte dos repórteres presentes na visita da imprensa antes da abertura oficial.

Os cultuados filmes do cineasta não são os protagonistas do passeio. O mundo a que se refere o título da exposição é o que habita a cabeça de Tim Burton. O Tim Burton desenhista, pintor, escultor, fotógrafo. O inventor de monstros e universos, o artista, e não o cineasta. Como a própria cenografia da exposição sugere, somos engolidos para as entranhas e para a mente do criador californiano.


Somos expostos ao seu acervo pessoal. Um privilégio. Curtas em Super 8 (num deles com atuação do próprio), em 16mm, em desenho animado e em stop motion. Centenas de desenhos e pinturas; de quando criança aos dias atuais; a lápis, a caneta, tinta acrílica, aquarela, óleo ou colagens; para filmes, livros, concursos, estudos ou pra si mesmo; em guardanapos, jornais, sketchbooks, folhas de animação ou telas; coloridas ou preto-e-branco; fotografadas, modeladas ou montadas. Artes que viraram filmes grandiosos ou que não viraram nada.

Material vasto, belíssimo e muito rico. Isso tudo nos fazendo entender o autor-cineasta e os embriões de sua obra. Tim Burton é bizarramente coerente.

Mas é claro que não ficamos “somente” nos desenhos e pinturas. Este mundo se completa com cartas, poesias, instalações e bonecos incríveis. O escorregador circular que liga dois ambientes é diversão pura. E vários personagens do livro de poesias macabras pra crianças, O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias (meu livro de cabeceira), marcam presença tridimensionalmente: um inflável gigante do Balloon-Boy, um diorama horripilante do Stain-Boy, e o Robot-Boy (a peça mais linda) em aço e alumínio que emite luzes, sons, e se movimenta de repente.


A seção de fotografias é das minhas preferidas. Para um projeto pessoal, Burton usou uma rara câmera Polaroid 20x24 pra registrar cenas montadas em locações de Marte Ataca, bonecos de O Estranho Mundo de Jack e a personagem Blue Girl. Projetos de produção elaborada que transgridem a vocação instantânea do Polaroid. Não só a beleza e a composição das fotos impressionam, mas também suas cores e definição.

E deixando o melhor pro final, pra não dizer que nenhum ‘prop’ de seus filmes aterrissou aqui, os fãs de stop motion poderão ver alguns (poucos) bonecos usados na animação de O Estranho Mundo de Jack, Noiva-Cadáver e Frankenweenie. A bronca fica por terem trazido somente coadjuvantes dos dois primeiros, que mesmo assim merecem apreciação por muitos minutos pra dissecarmos cada detalhe.

Acho que faltou também mostrar algumas peças que expliquem o processo da animação quadro-a-quadro, como bocas intercambiáveis e esqueletos articulados. Pelo menos – e abrindo a exposição – podemos ver a cabeça real de Jack Skellington num zootrópio, que por si explica o processo de troca de expressões. É a primeira e mais impressionante das instalações.

Enfim, nesta exposição visitamos o processo criativo de Tim Burton, e este é seu grande trunfo, num nível não alcançado nas mostras do MIS com Kubrick, Truffaut, Bowie ou Mojica.

Todo o áudio da exposição está no Spotify do museu: então, basta seguir 'mis_sp' pra curtir agora mesmo, esteja você onde estiver, um pouco do Mundo de Tim Burton.

E, a quem for inspirado pelo diretor que começou animador e quiser se aprofundar na prática do stop motion, terei, junto com a animadora Lígia Borba, a honra de ministrar uma oficina dentro da programação da exposição. Mais detalhes e datas das aulas ainda estão sendo fechados: portanto, serão divulgadas em breve.







Serviço:

O MUNDO DE TIM BURTON

De 4 de Fevereiro a 15 de Maio de 2016
Fechado nas segundas-feiras e nos dias 10 e 11 de Fevereiro
Entrada gratuita nas terças-feiras

Museu da Imagem e do Som – MIS
Avenida Europa, 158 – Jardim Europa – São Paulo


* Site do MIS