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21º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo (Cinequanon)


IV- Latino-Americanos


Cynthia Ainda Tem as Chaves (Cynthia Todavía Tiene Las Llaves), de Gonzalo Tobal. Argentina, 2010. Fic - Cor - 35mm - 25 min. Mostra Latino Americana > Latinos 3. (FOTO 1)

Sem nenhuma pretensão a mais do que contra uma história por parâmetros visuais “comuns” - nada contra inclusive: até porque experimentações são sempre algo bom de ser avaliado, mas transitar por essas vias comuns dentro de um mundo tão sedutor às ousadias como é o dos curtas também requer bom manejo e concretização -, a responsabilidade da personagem Cynthia se faz a responsável maior (única) para conduzir essa história simples e mais frequente o se imagina com vigor até seu desfecho. A aposta está na atuação, portanto – apesar dos vai e vem de situações imagéticas ilustrando didaticamente o que é narrado por ela para a câmera -, e nesse quesito (como no resultado final) a cotação pode ser: “OK”.

Nada maios do que “OK”, também. Se a situação motriz é a de relatar questões amorosas e de carências mal resolvidas, a direção não permite algum aprofundamento a mais no tema, pois a intenção implícita está dirigida para soluções de apego fugaz, “rasteiro”, sem aprofundamentos mais provocadores, digamos. Um trabalho parta ser visto (sem chateação), e esquecido (sem dor na consciência ou encucação). Por Cid Nader.


Las Pelotas, de Chris Niemeyer. Argentina/Suíça, 2009. Fic – Cor – 35mm – 14 min. Mostra Latino Americana > Latino 4. (FOTO 2)

Em meio a uma proficuidade de trabalhos no formato de curta exercendo sua possibilidade de utilização de mil idéias e não linearidades comportadas (atitude justa, com certeza), surge um OVNI como esse Las Pelotas. Um OVNI do bem e pra lá de agradável, é bom que eu frise. Com co-produção suíça, fica difícil saber até onde vai, no filme, o inequívoco e indisfarçável amor dos hermanitos pelo futebol, e até onde o imaginário europeu sobre tal fixação se estabeleceu como encaminhador da trama imaginada.

Para contar sobre as possibilidades de imaginar um filho como jogador de time grande – o que pode ser um sinal de independência para famílias trabalhadoras, tanto aqui no pais vizinho como no nosso – ingerindo fortemente no comportamento comum de pessoas comuns (respeitadoras dos bons costumes religiosos e das instituições), o curta acaba criando uma fábula meio neo fantástica, indo um tanto mais ainda ao picaresco ingênuo e entendendo que tradições e simbologias ancestrais (mesmo oriundas de percepções tacanhas e pueris) podem completar os anseios, muito mais do que permitem as “oficialidades” (religião e instituição, justamente). Como trabalho estético é bem simples: mas faz parte da proposta (que aposta na historinha). No todo, bem divertido.Por Cid Nader.


Luz Azul, de Osiris Luciano. México, 2009. Fic – Cor – 35mm – 14 min. Programas Especiais > Mostra Juvenil.

Filmes mexicanos têm se caracterizado por duas premissas que parecem ser quase as únicas: ou são trabalho que abordam pobreza, miséria, e pessoas estranhas ao mundo “comum”, com imagens e edição pretensiosamente elaboradas; ou vão direto ao assunto mesmo, filmando um pais novo rico e com pé na burguesia reverenciadora aos norte-americanos, com imagens e edição pretensiosamente elaboradas. Osiris Luciano e seu curta não abordam estranhezas e miséria; são mais burgueses.

O que resultou, foi um filme que fala de crianças, naquela Cidade do México que parece mais mundialmente capitalista do que mexicana (aquele mundo burguês asséptico e repetido que se encontra em boa parte das grandes cidades de “países em ascensão”), com capricho nos quesitos técnicos (o que rendeu “imagens e edição pretensiosamente elaboradas”) e ponto. Não é mal feito, não é um atentado ao cinema bem filmado, mas é uma das características mexicanas se repetindo sem entregar nada a mais a ser realmente bem, considerado. Por Cid Nader.


Quarta 8/Terça 7 (Miércoles 8/Martes 7), de Edison Cajás. Chile, 2010. Fic - Cor - Vídeo - 25 min. Mostra Latino-Americana > Latino 4.

Que o Chile e a Argentina são países visceralmente políticos, isso não se discute. Que o cinema desses dois países realiza uma quantidade razoável de filmes ligando o tema às suas histórias: inquestionável. Mas saber que “desde pequeno é que se torce o pepino”, fica muito mais perceptível nesse curta universitário do Chile (pais que talvez ainda nutra mais afeição do que a Argentina por manter a questão tão fortemente protagonista em seus trabalhos de cinema). Um trabalho simples, que fala da situação dos trabalhadores que podem estar prestes a perder o emprego por alguma razão qualquer, em meio a situações de alguns protestos esporádicos, pequenas repressões e tal. Para compensar o viés político evidente, ainda acontecem algumas desavenças entre meninas numa escola – que, no fundo, têm o posicionamento social como o real deflagrador delas. Uma história contada com início meio e fim, estrutura de longa, mas que não deixa aparas e nem se ressente de correria para acabamentos. No final, novamente, forte apelo político. Parece um pouco cinema perdido no tempo. .Por Cid Nader











Leia as matérias deste festival:

I - BRASILEIROS (A a M) - 30 críticas

II - BRASILEIROS (N a Z) - 22 críticas

III - Internacional - 26 críticas

IV - Latino-Americanos - 4 críticas

V - Destaques: o Cinequanon recomenda.

VI - Dark Side - 5 críticas

VII - Sapporo Short Festival - 4 críticas