O Carteiro:


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Original: Idem
País: Brasil
Direção: Reginaldo Faria
Elenco: Candé Faria, Felipe De Paula, Marcelo Faria.
Duração: 103 min.
Estréia: 13/04/2013
Ano: 2010




Autor: Edu Fernandes (especial para o site)

Se tomarmos como exemplo Arnaldo Jabor e Reginaldo Faria, podemos concluir que ficar anos afastado da direção cinematográfica é nocivo para o sujeito. A Suprema Felicidade traz um punhado de cenas bem construídas em um roteiro mal pensado. O Carteiro consegue ficar um patamar abaixo, já que o número de cenas criativas que funcionam é menor.

Mais de 25 anos depois de Aguenta, Coração, Reginaldo Faria flerta com a comédia italiana para contar a história de Victor (Cande Faria), um carteiro no interior do Rio Grande de Sul. Ele se apaixona perdidamente pela estudante Marli (Ana Carolina Machado) e fará de tudo para ficar com a garota. Cego pelo sentimento, Victor viola as cartas que a amada recebe e assim descobre que ela tem um namorado no Rio de Janeiro.

A violação de correspondência não é a única contravenção em que o protagonista participa. Ao lado do colega de trabalho Jonas (Felipe De Paula, de 3 Efes), ele faz um série de traquinagens que seriam verossímeis se os dois fossem dez anos mais jovens. O Carteiro quer passar um ar de inocência, como se percebe pela trilha musical de Ricardo Leão (Nossa Senhora de Caravaggio), mas torna-se tolo por causa das motivações dos personagens.

As outras tramas que correm em paralelo pelo filme seguem clichês. Há a viúva fogosa (Fernanda Carvalho Leite, de Falsa Loura) que está interessada em Victor. Também existe a mulher amargurada pela vida (Dany Stenzel) que nunca se esqueceu do primeiro namorado, o dono do bar (José Vitor Castiel, de A Casa Verde). Para completar, o delegado (Marcelo Faria, de 1972) e uma ricaça (Ingra Liberato, de Valsa para Bruno Stein) formam o casal apaixonado que não concretiza seu amor pelo orgulho de ambos.
,br /> Para tentar tornar a história convincente, O Carteiro é um filme de época. Hoje em dia, a troca de e-mails impediria o enredo, a não ser que o filme se chamasse “O Hacker”. Não se anuncia o ano exato em que os acontecimentos se desenrolam, mas alguns detalhes denunciam, como o dinheiro usado em cena. Ademais, a caracterização é fraca na direção de arte e inexistente nos diálogos, já que alguns personagens usam gírias contemporâneas.

Com uma cena boa aqui e um momento engraçadinho ali, o filme sobrevive aos trancos e barrancos. Contudo, a maior parte do tempo trata-se apenas de um embate com a paciência do espectador.

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