Rota Irlandesa:


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Original: Route Irish
País: França/Espanha
Direção: Ken Loach
Elenco: Geoff Bell, Najwa Nimri.
Duração: 109 min
Estréia: 05/10/2012
Ano: 2010


No lugar errado, na hora errada


Autor: Marjorie Morad

Empresas especializadas em serviços de segurança, em busca de expandir suas atividades a outros países, encontram uma fonte de alta renda no Iraque, para onde passam a enviar contratados para diversos serviços altamente lucrativos, como desarmamento de minas, por exemplo. Os contratados são ex-combatentes, mercenários e demais valentes interessados nos salários bastante atraentes.

Amigos de infância em Liverpool e homens crescidos agora, mas ainda muito próximos, enquanto Frankie possui família, mãe, esposa, e está passando por crise financeira, Fergus trabalha em uma dessas firmas no Iraque. De passagem por Liverpool, convence o amigo a seguir seus passos, pois o ótimo salário vale a pena.

Já no Iraque, onde o desrespeito aos moradores continua similar àquele vindo à tona para o mundo a respeito do tratamento despendido por parte dos americanos aos locais, em que camponeses comuns e suas famílias sofrem com todo tipo de crueldade, e cuja justificativa estaria baseada no conceito de nação inimiga por princípio, pode-se testemunhar, entre colegas de armas, por exemplo, a expressão “vou pegar mais um turbante”, no sentido de matar mais um iraquiano.

Frankie acaba por testemunhar uma história dessas, em que toda uma família é dizimada dentro de um táxi por seus colegas de empresa, e se apodera do celular de um local, que filmara toda a cena.

Coincidentemente, morre alguns dias depois em um serviço na chamada “rota Irlandesa”, a estrada local mais temida, tida como provavelmente a mais “perigosa do mundo”.

Na Inglaterra, por conhecer bem o caráter e bravura do amigo, e desconfiando de morte tão rápida em lugar evitado por todos, Fergus decide investigar por conta própria o que pode ter realmente acontecido, apesar das explicações bem articuladas e desculpas oficiais à família por parte dos empregadores.

Nessa trilha, seremos espectadores de descobertas perversas num clima de injustiças e erros cometidos de todos os lados, porém, quase sempre impunes quando feitos do lado dos que detêm o capital e o poder. Dos maiores suspeitos, Fergus se cansa de ouvir que seu amigo apenas estava no local errado na hora errada. E tem certeza do óbvio: neste caso, consideração, solidariedade, justiça, tornam-se pedras no sapato, insuportáveis para esses poderosos, capazes de injuriar, jogar muito sujo e até mesmo matar para livrar seu caminho daqueles que se tornam empecilhos para suas metas.

A trama é interessante, muito bem engendrada, forte, verossímil, prendendo nossa atenção do começo ao fim. Desde o início, porém, pelo modo como se desenvolve, podemos prever que não poderá haver um final feliz possível.

Assim, no desenrolar dos fatos apresentados, cresce aquele sentimento de necessidade de justiça, mesmo que dolorosa. Pelo menos isso. Nesse sentido, o último segundo decepciona um pouco. Mas só o último momento. Haveria outras possibilidades na continuidade dessa história? Talvez, mas com certeza, nunca menos dolorosas.

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