Solidão e Fé:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Tatiana Lohmann
Elenco: Documentário.
Duração: 88 min.
Estréia: 12/08/2011
Ano: 2010


Trabalho que se transforma no percurso


Autor: Cid nader

Esse filme de Tatiana Lohmann talvez tenha de ser compreendido como um trabalho de vertentes mais indicadoras de buscas e descobertas pessoais do que um apanhado longo – pelo tempo demandado no acompanhamento - do mundo dos rodeios no país. Sim, documentário, mas com um auto-desvendamento de tamanha monta que seria muita “redução” classificá-lo “somente assim”.

Tal desapego da vergonha de se entregar diante de suas próprias lentes causa certa estranheza, ao mesmo tempo em que faz notar uma real diferença (e não me venham com simplificação de análise, ou olhar machista) no modo como uma mulher se prepara para uma empreitada do gênero (mais liberada para a entrega às novidades), enquanto (e falo novamente não como regra, mas como repetição ditada pelo comportamento acumulado há séculos) homens, em documentários, tendem ao pragmatismo e à observação mais rigorosa de esquemas. Deixando um pouco para trás essa “constatação” sem nenhum fundamento mais embasado em estudos, Solidão e Fésofre por algumas questões técnicas concretizadas (há exagero na busca de elucidação do entorno que as lentes tentam, com movimentos, muitas vezes, mal desenvolvidos, com câmeras velozes que por vezes buscam o olhar subjetivo – em cima de touros, por exemplo -, que por outras adentram ambientes como se fossem os olhos de Tatiana, mas muito dispersos: o que ocasiona por diversos instantes enquadramentos equivocados ou incompletos), ao mesmo tempo em que, de modo bastante antagônico, tais situações de “descontrole” desemboquem na obtenção de momentos (bastante ajudados por edição precisa e, principalmente, instantes instrumentais/musicais avolumadores de tensão) densos.

Na realidade, enquanto as situações oscilam, a transição dos assuntos gera momentos narrativos que, parece, não teriam como se encontrar de modo algum, mas que acabam por entregar boas situações de observação do mundo buscado originalmente (quando “cola” em peão ou outro e tenta sugar o máximo), enquanto, meio que pelas beiradas, revelam a transformação da diretora.

Talvez, a diretora tenha encontrado similaridades nessa solidão e fé buscadas nos outros com o seu mundo interior. Talvez, ela tenha somente derrapado na falta de alguma prática a mais com o assunto (algum alvo mais bem definido). Sei que o trabalho acalma quando as duas câmeras atuam em conjunto, e sei que seria melhor se as tentativas de dinamismo, quando filma de próprio punho, tivessem sido cerceadas em sua quantidade. De toda forma, um filme que não “passa”, somente, e que pode provocar boas conversas.

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