Efeito Reciclagem:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Sean Walsh
Elenco: Documentário.
Duração: 105 min.
Estréia: 29/07/2011
Ano: 2010


O quanto vale uma figura rara


Autor: Cid Nader

Parece ficção, mas não é. A vida do catador de papelão/empresário do ramo da reciclagem/pai de 23/marido de um monte, e muito bom de papo, Claudinês Alvarenga, observada sob a ótica imprimida pelo diretor Sean Walsh, acaba por tomar nesse documentário, que poderia ser “só mais um” sobre o tema da moda entre todos os recantos do mundo que é da reciclagem para a salvação do planeta, uma função de alvo condutor bastante raro pela sua potência de agregação e cooptação das atenções. Não se sabe se Sean saiu à busca de falar do problema que movimenta as “mentes corretas e preocupadas” com o destino da Terra, pois não há disso; não se sabe se ele teve como deflagrador da empreitada a preocupação com essas pessoas que vivem da cata de materiais nas ruas, e que passaram a ter importância vital nesse instante de que tudo giram em torno do assunto; ou se já sabia mesmo da atipicidade desse ser retratado, e percebeu que persegui-lo poderia render algo raro de se crer como história real.

O que resultou mesmo na telona foi um filme que é evidente fruto de boa captação e elaborado manuseio do material obtido: são muito boas as imagens de “perseguição” à Kombi de Clauidinês pela cidade de São Paulo (como se fosse um “Onde Está Wally”), sempre encontrada em seu esplendor de quinquilharias, no meio de entorno grandioso que decifra várias das paisagens da cidade; também muito boas e sensíveis as interlocuções das lentes e microfones com o próprio reciclador, mas que surgem muito especiais no contato com três criancinhas pequenas (entre netos e filhos dele), ou brincando, ou filosofando sentadas no meio-fio; e grandiosos momentos em que se observa desde a catação dos materiais, à complexa engenharia de adequação dessa carga sobre o veículo quase arriado, ou quando se adentra o local organizado e eficiente (por mais incrível que pareça), onde se trabalha com a separação, ou ainda nos locais onde se vende tudo.

Mas, apesar de todo o bom trato com a arte, Sean Walsh ainda ganhou a benção de encontrar uma figura raríssima de se acreditar, parecendo personagem de ficção irreal, e que ainda por cima sabia se comunicar com muita competência com as lentes. Todo o obtido, e todo o costurado, conseguiram concretizar um trabalho bastante raro, quase único, que acaba abordando variadas facetas humanas, que aborda assunto de atração, e que consegue (até pensando que talvez tenha acontecido excesso de situações “´preparadas” para funcionarem bem em filme) dinamismo narrativo suficiente para deixar uma sensação de querer mais.

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