Santa Paciência:


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Original: The Infidel
País: Reino Unido
Direção: Josh Appignanesi
Elenco: Archie Panjabi, Matt Lucas, Richard Schiff.
Duração: 105 min.
Estréia: 20/05/2011
Ano: 2010


Vale pela dupla de "inimigos"


Autor: Cid Nader

Há filmes de atores – se bem que o cinema, quando não consegue obter boas atuações até concretiza obras dignas, caso que não pode ser repetido no teatro por exemplo. Santa paciência, de dentro de suas boas intenções sociais, tendo como princípio não ser extremamente reverente ao politicamente correto (abastecendo-se do humor inglês para tentar conjugar incongruências de princípios), e tocando assuntos que podem ser compreendidos vistos como tabus em algumas regiões do planeta (a mescla entre judeus e muçulmanos radicais ou ortodoxos, por exemplo), consegue mesmo ser bom e aceitável no todo pelo carisma e pela bela parceria obtida entre dois de seus atores: Omid Djalili (no papel de Mahmud Nasir) e Richard Schiff (Lenny Goldberg, um taxista americano-judeu).

Eles acabam por constituir a dupla que se encarrega de fazer crível a boa intenção primordial do filme. Acabam por assumir com muita capacidade o que poderia representar um complexo trâmite no tratamento das questões que envolvem muçulmanos (no caso, aqui, de origem paquistanesa) e judeus, tratadas num tom de paródia, de leveza, de certa jocosidade (com tentativas bem óbvias de fazer dessa observação singular um modo de humanizar e trazer mais para o dia-a-dia tais conflitos).

O diretor (ou eles mesmos) fortalece a tinta dos personagens, o que acentua o quão maluco pode ser tal desafeto. As composições deles facilitam o trânsito nos caminhos imaginados para que a história diversifique os sub-temas, para que outros personagens exponham suas características (que vão desde o radical safado ao casal ingênuo, ou a pessoas de lares comuns, ao melhor modelo ocidental de ser), para que o humor britânico encontre seus trechos. Tais composições, também – e por outro lado - simplificam as diversidades, aplacam discussões que poderiam tratar desse “amainamento” bem-vindo por prismas mais realistas, de forma um tanto ingênua a mais do que poderia ser tentado.

O diretor John Apignanesi em nenhum momento tenta enganar com insinuações de que sua preocupação com as questões poderiam conter derivações mais ricas e sábias. O tempo todo investe no tom de comédia. Mas sua construção - se fosse possível imaginar o filme sem Nasir e Goldberg – acaba por ser bastante frágil, sem conexões interessantes entre as partes, sem ritmo adequado, com alguma pobreza técnica evidenciando os defeitos, e, num completo antagonismo ao que há de verdadeiramente bom em Santa Paciência, com os outros protagonistas (quase todos) representando papéis débeis e de composições bastante ruins (o filho de Nasir, com interpretação de James Floyd, é o maior exemplo disso).

Fica-se com um trabalho que trata de assunto palpitante, pelo interessante vies da comédia, com tratamento fraco como obra completa, que se salva pela cumplicidade da dupla de “inimigos”.

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