Assassino a Preço Fixo:


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Original: The Mechanic
País: EUA
Direção: Simon West
Elenco: Jason Statham, Donald Sutherland e Ben Foster.
Duração: 92 min.
Estréia: 18/03/2011
Ano: 2010


Pra que refilmar assim?


Autor: Cid Nader

Refilmar um trabalho estrelado por Charles Bronson lá na década de 70, com o mesmo nome, Assassino a Preço Fixo, pensando em que tipo de público seria o alvo a ser tentado agora já na segunda década dos anos 2000, talvez devesse requerer do diretor Simon West (o filme matriz foi dirigido por Michael Winner) ir um tanto além da obviedade, para tentar escapar de ver esse novo dirigido somente a meninos. Explicando melhor: essa refilmagem de 2011, que aposta fortemente no caráter físico do machão de plantão, Jason Statham, e nas suas estrepolias inacreditáveis, parece querer agradar a um tipo de público que jamais prestará atenção em qualquer tipo de coisa nele que extrapole a violência estética, e que jamais deixará qualquer tipo de marca, como cinema, para ser debatida com paixão e com interrogações relevantes, em qualquer futuro que seja.

Explicando mais ainda: mesmo sabendo que a aposta é pensada como atração que jamais deveria ser questionada por credibilidade, organização ou filiação a modelos de cinema que não visem "somente" o lucro fácil vindo de públicos fáceis (como são, por exemplo, esses moleques - e outros nem tanto - que quase entram em júbilo com cenas de trucidamento, sangue, tiros, ou jogos de videogames que tenham como pontuação a quantidade de cadáveres ajuntados numa bacia), a ideia do paralelismo, da origem, da concepção, serem atrelados ao outro trabalho onde Bronson reinou, deixa para esse dirigido West um prejuízo danado, e a certeza de que é tremendamente pobre de espírito.

Por mais gritante que possa soar para alguns ouvidos sensíveis (mas de almas conformadas com as mesmices), pensar em Charles Bronson e referi-lo como motivo de atração (algo que é fartamente praticado no caso desse filme), requer saber que tanto o ator como um bom punhado dos filmes que protagonizou são tinta forte e imprescindível quando se pensa nos ícones cinematográficos, nos filmes mitológicos, nos personagens que tem lugar certi reservado no céu dos predestinados. Mais especificamente ainda, no caso de Assassino a Preço Fixo, quando Bronson personificou o mecânico assassino Arthur Bishop, estabeleceu um modelo de violência que fazia com que seu trânsito pelo mundo se assemelhasse aos atos de um jardineiro podando ludicamente uma moita, e com a sabedoria e certeza de quem é bastante bom no ofício; não havia camuflagem tentando esconder ou edulcorar o ato de matar, mas colocava as situações sob a ótica das lentes que captavam e emanavam a insuspeita frieza necessária a um profissional do ramo. Já estava tudo lá, mas com a potência e a aura de um ator que estabelecera paradigmas e já era notável por vir de filmes considerados como clássicos, sem medo de arriscar em outros que pareciam "suspeitos", então (inclusive esse mesmo). Tudo que é feito na refilmagem, já estava lá. Então por que refilmar? E com esse Statham?

Há muitas cenas de ação, bem desenhadas e concretizadas pelas inacreditáveis possibilidades técnicas atuais, muito sangue, muita morte, e um desdém para com os mortos que se alia ao prazer do público buscado (esse dos videogames). A atuação sempre em ponto de "sou um personagem fortão que poderia ser um desenho" de Jason Statham é fria como sua falta de qualidade costuma entregar, potencializando ainda mais a falta de Bronson e seu olhar estranhamente patético/distante. Não é mal feito, mas totalmente dispensável, por não ter razão de ser como cópia menor que é. Filme de meninos: bobinhos.

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