Malu de Bicicleta:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Flávio R. Tambellini
Elenco: Marcelo Serrado, Fernanda de Freitas, Marjorie Stiano e Otávio Martins.
Duração: 90m min.
Estréia: 04/02/2011
Ano: 2010


Instável, mas mais para cima.


Autor: Cid Nader

Quando vi o filme em Paulínia 2010, após dois dias terríveis no que referia a longas em competição, ver um filme com cara de filme como é esse Malu de Bicicleta representou encontrar um oásis quando já não se tinha mais esperança de sobrevivência. Flávio Tambellini fez um filme que consideraria regular em outras circunstâncias, mas no momento, ao menos, leva uma vantagem enorme por fazer com que percebamos (por conta da comparação) que, ao menos, ele sabe realizar as ações mínimas para caracterizar qualquer obra filmada que se pretenda cinema.

O filme tem edição consistente (que não ousa nunca, mas está longe de ser quadrada, também, mas, principalmente, que permite que com que o fluxo narrativo caminhe sem atravancamentos ou sobressaltados indigestos gerados por trabalho errado), boas adequações aos contrastes de luminosidade (há evidente cuidado com as alternâncias noite/dia – acontece muito trânsito de ações entre interiores e exteriores -, e também aproveitamento esperto das variações entre a luz chapada oferecida pela topografia do Rio de Janeiro, e aquela mais sombreada, mais cheia de nuances, que se nota na cidade São Paulo), bom ritmo literário (se bem que derrape com algumas piadinhas de menos qualidade), e acerto nas interpretações (com notada atenção que deva ser dirigida aos momentos da coadjuvante Maria Manoela e do ator principal da história, o instável – no seu personagem – Marcelo Serrado).

A história de homem em fase de indefinição emocional parece coisa copiada de mitologia do cinema – é história que se repete e que já teve mais engenhosidade nos momentos de Truffaut, por exemplo -, e se aproveita de alguns cacos que não renderam bons momentos: mas acho justo dizer que há alguns bons, também. O filme todo acaba representando um vai e vem por sua qualidade, bem, acima do constatado no turbilhão negativo do festival: creio que, naquele instante, chegou no momento ideal, como uma bênção alentadora.

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