Amor e Outras Drogas:


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Original: Love and other drugs
País: EUA
Direção: Edward Zwick
Elenco: Jake Gyllenhaal, Anne Hathaway, Oliver Platt, Hank Azaria, George Segall, Jill Clayburgh.
Duração: 115 min.
Estréia: 28/01/2011
Ano: 2010


Hollywood redescobrindo (sub) gêneros?


Autor: H. Hirao

Parece que Hollywood redescobriu um subgênero de filmes pouco explorado: as comédias românticas para homens. Filmes como “500 Dias com Ela” (2009, de Marc Webb) ou “Scott Pilgrim Contra o Mundo” (2010, de Edgar Wright), em que o protagonista masculino faz de tudo para ficar com a garota que não está tão a fim dele, evitando cenas muito melosas, eventualmente misturando piadas de gosto duvidoso ou algumas cenas de ação. Amor e Outras Drogas segue nessa linha.

Não se deixem enganar pelo cartaz ou pelo título. Este não é mais uma comédia romântica americana. É, e não é. Eu mesmo quase deixei de assisti-lo. O título brasileiro é a tradução literal do original, Love and Other Drugs, mas o título do livro em que foi baseado traduz melhor o que o filme mostra: “Hard Sell: The Evolution of a Viagra Salesman”. Sim, as aventuras de um vendedor de Viagra, no caso, Jamie Randall (Jake Gyllenhaal), um vendedor convincente e charmoso, mas muito “galinha” que transa com todas e não quer saber de compromisso. No final dos anos 1990, ele vai trabalhar para Pfizer. Essa propaganda é tão explícita que nem dá para chamar de merchandising.

Passa-se quase meia hora até Maggie (Anne Hathaway) finalmente aparecer. Ela é paciente em um consultório médico, uma jovem descolada e bem humorada. Tanto que trata o seu problema de saúde sem constrangimento como se fosse um mal-estar passageiro, nada menos que o Mal de Parkinson, doença degenerativa, sem cura, que normalmente atinge idosos. Atenção, marmanjões, a princesa Mia cresceu e se tornou uma linda mulher. Há cenas de sexo e nudez em quantidade acima da média em se tratando de comédias românticas hollywoodianas. Em certo momento, a comédia dá lugar ao drama e o filme cresce consideravelmente em qualidade e conteúdo. Amor e Outras Drogas discute a ética (ou a falta de) da bilionária indústria farmacêutica, inclusive o uso indiscriminado do Viagra. Há uns dois anos, circulou pela internet uma declaração supostamente atribuída ao médio Drauzio Varella: “No mundo atual está se investindo cinco vezes mais em remédios para virilidade masculina e silicone para mulheres do que na cura do Mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos, teremos velhas de seios grandes e velhos de pau duro, mas eles não se lembrarão para que servem”. Essa frase poderia muito bem constar no filme. A química entre Jake Gillenhaal e Anne Hathaway funciona perfeitamente. O fato de já terem atuado juntos em “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005, de Ang Lee) deve ter ajudado. Ambos são jovens, bonitos e, principalmente, talentosos e transitam bem entre a comédia e o drama. Os atores coadjuvantes também estão bem, o que revela segurança na direção. É uma pena que a participação dos veteranos George Segal e Jill Clayburgh, que interpretam os pais de Jamie seja tão curta. Inclusive, esse foi o penúltimo trabalho de Jill Clayburgh, que faleceu em novembro do ano passado.

Amor e Outras Drogas agrada tanto aos casais que vão ao cinema assistir a um filme sem compromisso, quanto àqueles que querem ter algo a mais para discutir depois da sessão.

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