Desenrola:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Rosane Svartman
Elenco: Olívia Torres, Lucas Salles, Juliana Paiva, Daniel Passi e Kayky Brito.
Duração: 88 min.
Estréia: 14/01/2011
Ano: 2010


Há um tanto de politicamente correto sobrando...


Autor: Cid Nader

Vou confessar uma coisa: quando saí da sessão de Desenrola (Festival de Paulínia de 2010) ouvi um monte de comentários positivos. Passei a pensar nele, naquele momento, com mais carinho do que o sentimento que nutria a seu respeito sobre o que via no momento da projeção – minutos antes. Sentimento que constatava um filme primário, aspectos juvenis (sim, o filme fala de jovens adolescentes, sei) originados na cabeça e na concretização de uma adulta, afinal de contas, a diretora Rosane Svartman, recheado de momentos constrangedores e impostações da pior espécie televisiva.

Sentimentos que imaginavam estar vendo um trabalho que utilizava o que poderia haver de pior numa cartilha de ditames sobre coisas que os adolescentes gostam e questionam (aliás, acho que é chegada a hora – nada a ver com o filme, mas aproveito a ocasião – para pararmos de tratar esse riquíssimo momento da adolescência com o “desprezo” ou reducionismo que se tornaram moda: momento de transição que faria fácil entender os excessos e indecisões) , e que massacrava o bom senso com sequencias que pareciam saidas de filmes que tratam os assuntos juvenis com aura de rebeldia, mas sempre com um sermão na ponta da língua – enquanto belas garotas (aliás, algumas bem belas mesmo) interagiam, discutiam, namoravam, brigavam, rejeitavam ou aceitavam meninos de forma aparentemente livre (bem ao estilo estereótipo/carioca de ser), momentos de “use a camisinha”, ou “não bebam demais”, alternavam na tela. Um modelo politicamente correto se insinuava, sob ações artificiais de rebeldia. Além de alguns outros instantes canhestros, com música cantada no ônibus, pai preocupado e fraco, madrasta cúmplice e incentivadora com bocas e trejeitos ruins, aparições de estrelas globais em papéis fugazes e secundários... Meus sentimentos indicavam “o horror”.

Porém, como confessei que passei a repensar no filme com mais carinho por tentar entender os elogios, comecei a “lembrar de alguns bons momentos, afinal”, e me vieram à mente sacadas estéticas legais (um desenhinho se instalando num banheiro, sobre as paredes e objetos, “narrando” o que um dos moleques lia num diário surrupiado; ou brincadeirinhas com raio laser; ou ainda quando há uma declaração de amor, com os mesmo lasers voltando à ação e uma projeção sobre a parede lateral de um prédio...). Me veio à mente o bom desempenho de alguns dos jovens protagonistas (principalmente os de Boka e seu companheiro inseparável, Amaral, e mesmo o da belíssima Priscila), ou a dinâmica jovem que “deveria estar falando mesmo”, fortemente, aos moleques daquela faixa de idade. Meus sentimentos, movidos pelo inconfessável,indicavam: tem méritos sim! Bem, vou confessar outra coisa: dormi, acordei, tempo passou, o filme acalmou na minha mente e resolvi cometer a besteira de ouvir palpites de mais um amigo que detestou o filme, achando-o constrangedor. Conclusão concreta: continuo com dúvidas... Conclusão a sério: mesmo com alguns bons momentos, o todo de Desenrola indica-o muito mais para ruim do que razoável. Seu aspecto de coisa carioca demais, jovialidade "global" extremada, e discurso falsamente rebelde, prevalecem sobre tudo. Não é dessa vez que, para mim, humildemente, a diretora Rosane Svartman se redime.

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