De Menor:


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Original: Idem
País: Brasil
Direção: Carú Alves de Souza
Elenco: Rita Batata, Giovanni Gallo, Caco Ciocler, Gilda Nomacce.
Duração: 90 min.
Estréia: 04/09/2014
Ano: 2013


Sensível no tema; sensível no trato das imagens


Autor: Cid Nader

Esse é um breve texto crítico justo sobre uma arte que tem nas imagens seu material maior/pilar para ser entendida (e vale o aviso porque na primeira vez em que o vi, sofreu uma agressão plena na exibição totalmente equivocada, numa sessão da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo): que tem nessas questões técnicas os caminhos de rolamento por onde transitará o mote ou essência da história contada. Para quem me conhece – e por vezes até “acusa” se ser radical ao impor às questões estéticas valor que pode superar todo o restante, se bem ou mal tratada -, sabe o quão difícil me imaginar sendo justo numa situação de incompletude da arte demonstrada e apresentada. Mas tentei, então, de forma rápida e contida alguns palpites, algumas palavras, um tanto pelo respeito à artista que sofreu diante da situação, outro tanto porque é evidente que o relatado por sob os atropelos e defeitos revelou um filme que vagou generosamente entre sensibilidade extrema e um senso de observação contemporâneo raro.

Filme que arriscou e acertou um belíssimo plano-sequência inicial, o que já demonstrava o quanto de cuidados devem ter sido tomados para não serem notados em sua plenitude pelo decorrer. Que tem a leveza de um certo modelo do cinema francês sessentista na relação entre irmãos, dotada de forte e raro apego (inclusive, imageticamente, pelas situações de praia – a história se passa em Santos), que só se nota entre os que se amam demais: entre os que são um em si, pois, talvez, sós no mundo. Que trata de questões de um mundo exterior que fere drasticamente a união quase em casulo dos dois ao retratar situações de crianças delinquentes, num início como algo que poderia ser assunto a ser tratado – mesmo que com muita compaixão e entrega de Helena (Rita Batata) – de forma isolada do ambiente interno deles. Ao possibilitar a notação de que a vida, de alguma maneira, é quase linha que se tocará nas pontas em algum instante, e que dramas, no fundo, mais do que criação artística, são do destino humano, da sua inquietude, dos seus anseios (mesmo que os menos “nobres”; mesmo que os por mundanices e tentações descartáveis).

Notar uma jovem diretora, em seu primeiro longa, abastecendo-se de construções (nas ligas, nas emendas, na opção dos modos de atuações) que evitaram de toda forma ir ao exagero, ao hermético – entregando tudo, aos poucos, para não deixar dúvidas de que inicia querendo ser clara -, é até um alívio, diante de cenário onde muita coisa boa tem sido feita (estamos numa fase estupenda, no Brasil), mas com apostas que quase sempre evitam a observação dos da espécie como seres que são mais do que complexidades incontornáveis. Sem ser simplista, Caru entendeu e faz entender que se deve sofrer por se amar demais, e não somente por paixão louca.

É cinema que se nos é entregue na telona, por mais lógico que isso devesse sempre ser: porque se faz por imagens que insinuam, mas pelo emaranhado de situações engendradas, não por déficit delas ao nosso olhar; por uma certeira atenção a atuações exatas dos jovens atores; porque se constrói com certezas pré-elaboradas, evidentemente, mas deixando a sensação de que surpresas não cercearam os movimentos, e que um tanto de invenção teve sua liberdade de ser... Lembro bastante dos belos momentos (mesmo maculados) das pessoas sendo esmagadas na praia, do navio sendo engolido, por exemplo, e me emociono, porque isso também é brincar com as imagens, com o óptico, como fazem sempre as lentes, afinal...


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