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Sin City: triunfo do hiper-real

























Ciro I. Marcondes

Há uma grande dúvida em mim quanto a este Sin City: Cidade do Pecado. Não sei se o entusiasmo que me acomete depois de assistir duas sessões do filme se dá por um puro e simples trabalho de fruição cinematográfica ou se há raízes da minha formação cultural que voltaram à vida exatamente neste momento e que ordenam uma apreciação vinculada a um sentimento pessoal.

Explico: durante meus anos de adolescência fui um aficcionado pelos quadrinhos de Frank Miller. O contato mais profundo foi, como deve ser o caso da maioria, com “Batman: o Cavaleiro das Trevas”. Como deve ter ocorrido também a muitos, talvez este quadrinho, mais do que qualquer filme ou livro, tenha realmente me transportado pela primeira vez ao mundo adulto. A história parecia um massacre opressor do efervescente mundo real urbano sobre a frágil constituição alegórica daqueles brutalmente desgastados super-heróis. Minha primeira impressão sobre aquele gibi foi clara: não se tratava de super-heróis, apesar de tê-los como protagonistas. Tratava-se essencialmente de uma urbe caótica, quente (eram 50 graus em Gothan), com gangues neonazistas e a iminência de uma guerra nuclear. Heróis haviam morrido e outros, como o Super-Homem, trabalhavam para o governo dos Estados Unidos. Todas estas questões, contemporâneas à época do lançamento da história, remetiam a uma sensação de realidade.

Miller podia até ter mantido os personagens (mesmo deformados) das HQs clássicas, mas o cenário parecia duramente ter se metamorfoseado num coquetel de elementos dos jornais, dos romances, da televisão, de tudo aquilo que estava ao nosso alcance a parecia desinteressante por sua banalidade cotidiana. Mas Miller nos provara o contrário. O real, naquele momento, se mostrava bem mais interessante do que a ficção pura e simples. E extrair esta idéia de uma história do Batman era uma tarefa antes inimaginável.

Passei então a ler tudo o que encontrava deste distinto autor, gostando de praticamente tudo e cultivando minha identidade quadrinesca em torno dele. Mais tarde, passei a conhecer outros autores, de outros países, que abriram meus olhos para outras possibilidades do mundo adulto, bem diferentes das de Frank Miller, que hoje me parecem um pouco datadas, mas tudo isso foi depois de Sin City. Não que este trabalho audacioso, o mais ousado, pessoal e artístico de Miller, não tenha me causado impacto.

Um simples folhear de qualquer uma das histórias principais já promove uma verdadeira exultação dos sentidos: arte gráfica arrebatadora, com preto e branco chapados, e um domínio indiscutível da seqüenciação, tirando proveito dos movimentos em quadros estáticos, distribuindo os quadros e os elementos do quadro em função da orientação da luz e da sombra. Pela primeira vez, parecia que uma história em quadrinhos em preto e branco se desenrolava a partir da cor e da luz, e não dos personagens e do enredo. É um verdadeiro balé de formas e nuances que abordam, sempre ironicamente, o dilema figura-fundo.

E há, é claro, a temática de Sin City. Tudo aquilo que faz um adolescente babar está presente: tramas policialescas truncadas, sujeitos durões dispostos a fazer justiça com as próprias mãos, muita nudez feminina em mulheres sensuais fazendo danças eróticas estilizadas, muita violência e uma cidade podre, onde há espaço (mais que o real) para tudo de decrépito e imundo acontecer. Tudo isso, na cabeça de um adolescente, parece agressivamente real, sério e “adulto”.

Hoje, após assistir ao filme Sin City, minha concepção de todos estes elementos curiosamente mudou. Ao contrário do que aconteceu quando li o “Cavaleiro das Trevas” pela primeira vez (quando fui transportado para o mundo adulto), desta vez submergi em uma reflexiva jornada rumo ao mundo infanto-juvenil. E é por isso que cabe a questão: será que, se eu não fosse um antigo fã do autor e da obra em quadrinhos, eu teria a mesma – e positiva – reação ao filme? Por que será que os defeitos que percebi no enredo do filme também parecem se aplicar ao quadrinho? Esta leve decepção com alguns aspectos do filme também serviram para diminuir os quadrinhos que tanto amei? Talvez seja a hora de rever certos valores e deixar tudo aquilo que está no âmbito do sentimental de lado e fazer uma análise fria de “Sin City”.

Acho que a primeira medida para se concretizar esta análise é deixar, pelo menos neste momento, a história em quadrinhos de lado. Ao contrário do que têm feito toda a crítica a respeito da obra, optarei por falar sobre o filme “Sin City”. E acho que a primeira medida é desmistificar a idéia de que o filme é uma “transposição perfeita da linguagem dos quadrinhos”. A coisa é simples: não há “transposição” da linguagem dos quadrinhos. “Sin City” utiliza a linguagem do cinema, e nada mais. Não se poderia “transpor” um quadro de Van Gogh para o cinema – apenas traduzi-lo. A questão é justamente esta: há um conteúdo ideal em toda obra de arte - tudo aquilo que está fora dos moldes que aprisionam este conteúdo e o formatam (como um enlatado) no gênero artístico correspondente.

O que “Sin City” faz é recuperar todo o conteúdo ideal e ideológico do gibi e adaptá-lo à linguagem do cinema. A primeira constatação é a mais óbvia, mas parece ter passado despercebida por muitos críticos: no cinema não há “quadrinhos”, mas “quadrões”. Dentro do cinema, há apenas “o” quadro. Nos quadrinhos, há as páginas e “os” quadros. Isso cria uma diferença fundamental, em termos de narrativa, entre o cinema e o gibi. No gibi, os quadros estão aprisionados dentro de outros, e variam de tamanho. No cinema, há apenas um quadro, e ele é sempre do mesmo tamanho (exceções como as divisões da tela em filmes como “Napoleão”, de Gance ou até mesmo “Jackie Brown”, de Tarantino, não são suficientes para justificar uma paridade entre as linguagens).

A variação no tamanho dos quadros, nos gibis, e até das páginas, entre outros gibis, são fundamentais para a constituição pictórica de uma história em quadrinhos. A página é uma representação completa e harmônica e define o tema geral (pensando em Eisenstein) já nos contatos iniciais entre o leitor e o gibi. A montagem, no gibi, se faz primeiramente dentro do quadro (talvez mais do que no cinema), depois entre os quadros, e depois entre as páginas, para talvez, mais tarde, se fazer entre gibis, tudo ao mesmo tempo. O tempo, aliás, está em posse do leitor, como num livro, ao contrário do que acontece no cinema, em que o tempo é imposto ao espectador. Desta forma, o quadrinho apresenta um caráter fundamental de simultaneidade que o cinema não tem, e isso é o definidor do impacto estético que os gibis podem causar.

Segunda ressalva: há quem diga que o “mirabolante” (herança dos super-heróis) em Sin City deva ser relevado exatamente por ser “linguagem de quadrinhos”. Eu, particularmente, não acho que isso deva ser relevado, até porque não há o que ser relevado. Estes efeitos “mirabolantes”, aquilo que chamo de hiper-realidade, não são próprios dos quadrinhos, e muito menos isso pode representar “os” quadrinhos em sua totalidade. Efeitos como estes estão dentro do tema, e não da linguagem, e podem ser formatados em qualquer linguagem artística. Em suma: a temática de Frank Miller, ou de super-heróis, não é “temática de quadrinhos”, mas sim uma temática como qualquer outra, nem sempre tão utilizada no cinema ou na literatura. Nada impede que ela seja aproveitada nestas outras formas artísticas, e “Sin City” é um exemplo fenomenal de como isso pode transformar o cinema.

Mas vamos ao filme: “Sin City” é um noir-gore, uma visualização grotesca e aberrante da realidade. Aqui, tudo é falso. Está no limite entre o realismo e a inverossimilhança. Tudo o que ocorre no filme, ocorre em um nível um pouco acima do real. O filme espelha a realidade, mas introjeta uma quantidade de psicotrópicos nela. “Sin City” é um noir chapado de heroína: os personagens tomam saraivadas de tiros e não morrem; são atropelados e nada lhes acontece; explodem bombas do lado deles e eles permanecem vivos. Os carros voam (quase literalmente), há cirurgias miraculosas para recuperar membros perdidos, personagens são capazes de destruir tudo com as próprias mãos. Tudo isso dentro de um sadismo poucas vezes visto antes no cinema: cabeças e membros decepados, com figuras grotescas como canibais e pedófilos circulando dentro de ideologias torpes, muitas vezes maniqueístas, não escapando de um apelo infantilóide e de um mau gosto tão escancarado que é impossível evitar a estilização, e conseqüentemente, um expressionismo brutal, também conseqüentemente de apelo artístico inegável (pelo menos nos anos 2000).

Tudo isso está dentro de um super-estrutura de elevar elementos temáticos e estruturais do filme a níveis icônicos. O hiper-real acaba funcionando também no cinema exatamente porque adquire caráter de frescor, já que o cinema hollywoodiano parece estar inextricavelmente vinculado a uma proposta de representar pura e simplesmente o real em suas telas. O hiper-real de “Sin City” aparece, sob os moldes da cultura pop, evidentemente, como aparece a literatura fantástica no campo da prosa literária: causa uma estranheza regozijante, um prazer secreto, não-identificado, fruto do contato com as fronteiras entre a nossa realidade e a realidade completamente imaginária. Se a literatura fantástica faz isso através de um gancho entre a contemporaneidade e o mundo dos mitos e das fábulas, “Sin City” atualiza isso trazendo ao real comportamentos oriundos do mundo dos super-heróis, de quem é filho pródigo. Não é de se estranhar que um autor que se graduou em histórias infanto-juvenis aplique certas formas e contextos extraídos delas em suas obras ditas “adultas”.

Portanto, “Sin City” traz à tona não uma simples adaptação preciosista dos quadrinhos, mas toda uma tradição da mescla entre o real e o mitológico, sendo surpreendentemente delicado (para um filme tão explícito) em sua maneira de lidar com a fronteira entre estas duas formas de representação.

Mas o cinema em “Sin City” não se esgota aí. Há, também, uma importante redefinição de gêneros, e o filme consegue trazer luz nova a pelo menos três deles: a já citada adaptação de história em quadrinhos, o filme noir, e o filme pulp, ou seja, pautado por violência, crime organizado, anti-heróis, etc. No primeiro caso, existe pela primeira vez uma preocupação com uma tradução propriamente dita. Em casos de filmes anteriores (como “Homem-Aranha”, “Hulk”, “X-Men” ou mesmo coisas mais extraídas do underground, como “Tank Girl”, “Judge Dread”, etc), a adaptação se fazia em um contexto geral, tentando captar o espírito do gibi como um todo, e não histórias fechadas que tivessem sido publicadas. Em “Sin City”, a adaptação ocorre como se fosse a de um livro: todas as histórias do filme foram devidamente publicadas, e a preocupação da tradução se estende ainda para o material gráfico da revista, coisa que absolutamente não ocorria nas adaptações anteriores.

Por isso, a fidelidade do filme não é ao quadrinho em si, e nem mesmo aos seus ângulos e quadros, mas ao próprio processo de tradução. Na verdade, “Sin City” não é revolucionário neste ponto. Ele apenas atinge o que deveria sempre ter sido feito: traduções baseadas em princípios elementares da tradução. “Sin City” talvez seja o primeiro filme elementar oriundo do mundo das HQs. As outras seriam menos que isso. Seriam apenas uma pré-tradução, um engatinhar que se estendeu demais.

A relação de “Sin City” com o filme noir é ainda mais curiosa, e talvez a mais enfatizada pela crítica. De fato, existe uma referência muito clara, também compartilhada pelo gibi, ao imaginário noir: femmes fatales, “detetives” viciosos e viciados, envolvendo-se em tramas que conjugam a máfia, a polícia, os justiceiros, o sexo, a perdição, a doença. Há também uma preocupação em enfatizar a cidade como personagem, materializar suas ruas, torná-la opressiva, fazê-la ajudar a esmagar os protagonistas, com ambientes claustrofóbicos, enfermos, que respingam sangue e respiram fumaça. Tudo isso possui uma presença acachapante em “Sin City”, mas há algumas diferenças fundamentais que nos fazem entender o filme como algo muito distante daquele noir clássico dos anos 40, com o qual o filme tem sido freqüentemente comparado.

A primeira delas está na caracterização do herói - ou anti-herói, como preferir. O noir clássico, e eu cito aqui apenas dois exemplos mais conhecidos - “Pacto de Sangue”, de Billy Wilder, e “À Beira do Abismo”, de Howard Hawks - traziam como heróis sempre sujeitos malhados pela vida, endurecidos pelo convívio com um submundo desgastante, sujeitos ditos “durões”, mas com uma simples e fundamental característica: eles preservavam algum sentimento ético. Há sempre a defesa de uma causa, mesmo que camuflada pelo caráter ambíguo dos heróis. Naqueles filmes, havia lados bem definidos; havia por quem torcer.

“Sin City” arrebenta este conceito. Não há ética nem ideal, apenas interesses pessoais, sejam eles ligados à luxúria, a uma honra espúria ou a um egoísmo camuflado em senso de justiça (com exceção apenas da história vivida por Bruce Willis, que deflagra o fracasso dos princípios éticos). Não há por quem torcer. Todos parecem corroídos e inseminados pela mesma chaga que provoca uma espécie de epidemia de psicopatia. “Sin City” dá voz a matadores cruéis e sádicos, desperta no espectador uma possante relação com a morte fugaz, gratuita, uma expiação psicótica, e sentimentos que variam do choque e a repulsa a uma fascinação secreta, imoral.

E tudo isso acontece dentro de um princípio muito contestável: o de que a violência explícita e sem limites pode ser um fator artístico. A estilização da morte e a sua exposição quase clínica podem ser um jogo de montagem ideológica que visa atingir o limite, digamos, do mau gosto, ou do politicamente incorreto. Alcançar este limite traria, portanto, um objetivo estético. Uma estética de horror. O filme “Funny Games”, de Michael Haneke, trouxe proposta parecida: os personagens principais, sem histórico ideológico ou familiar, se divertem invadindo casas e matando ao seu bel-prazer. Não à toa, o filme ganhou no Brasil o subtítulo “Violência Gratuita”. Sem qualquer preocupação em justificar a atitude dos seus personagens, Haneke expôs a morte pura e simples. Trava-se de um experimento cinematográfico: até onde há limite para a ética na arte? “Sin City”, ao meu ver, funciona como a prática do que “Funny Games” era a teoria.

Uma outra diferença entre “Sin City” e o noir clássico está no posicionamento da ação dentro do filme. O noir, desde seus primórdios nos anos 30 até sua decaída nos anos 50 (e sua posterior reinvenção nos anos 60), nunca deixou de apresentar a ação e a violência dentro de uma delicada sutileza. Mesmo filmes mais ousados, como “Scarface” (de Hawks), procuravam mostrar apenas o estritamente necessário. Havia uma justificativa para a violência. Herdeiro do expressionismo alemão, o noir valoriza o silêncio, a sugestão, as sombras. “Sin City”, pensando desta forma, seria um anti-noir, que abusa da ultraviolência para trazer um outro tipo de expressionismo – o das vísceras, das anomalias, dos freaks – para a tela. O cenário digital e a estética emprestada do gibi ajudam incrementar esta atmosfera de horror com um apuro visual delirante, que reforça o hiper-real, fazendo do filme um “Caligari” semi-real, com monstros quase humanos.

No último gênero incrementado por “Sin City”, o pulp dos filmes de Tarantino, constatamos um princípio parecido com o já citado acima: não há lados entre as facções – os personagens são quase completamente destituídos de uma orientação polar. A farsa do inimaginável que vai percorrendo os frames também acompanha o filme no plano ideológico. É como se todos os personagens fossem gangsteres e não houvesse gente normal.

A equivalência valorativa entre os personagens se repete na organização estrutural do filme. Assim como os personagens são apresentados em série, como se estivessem numa esteira de uma máquina de horrores, também os episódios possuem uma certa adstringência, como se fossem feitos para serem comparados, igualados e anulados. Isso cria uma certa sensação de que pouco importam os enredos no filme, mas sim um certo tema que abrange todos os aspectos da montagem cinematográfica, desde o figurino, às atuações, às falas, à fotografia, aos episódios e, enfim, ao filme como um todo.

O que diferencia o filme, portanto, dos outros exemplos do gênero na escala gradativa da qual “Sin City” atinge o clímax, é a preocupação com um elemento hierarquicamente superior ao mero enredo: “Sin City” está preocupado com sensações, estéticas, estilizações, impressões subconscientes. É como se o filme se apropriasse da temática hard-boiled (curiosamente, o título de outro quadrinho de Frank Miller) do filme pulp para fazer uma saga fabulosa e onírica, a fantasia da violência, o “Conto de Uma Noite de Verão” dos psicopatas.

Por fim, cabe fazer algumas ressalvas que nos levam diretamente ao início deste texto. Por mais que “Sin City” seja uma enorme pauta para suscitar discussões a respeito de seus atributos cinematográficos, nada do que foi dito acima assegura sua qualidade. Talvez o meu respeito com minha formação cultural (mais até do que com a obra de Miller) tenha me tornado cego a várias questões imediatamente emergentes e que precisam ser comentadas. A infantilização e a bruteza quase ingênuas dos personagens, por exemplo. É difícil não ver com os olhos do ridículo a parte da cidade que é dominada por prostitutas armadas até os dentes que possuem um acordo com a polícia e com a máfia. As mulheres em “Sin City” são de um reducionismo que pode suscitar uma justa cobrança por parte das espectadoras. Nada mais machista do que mulheres armadas até os dentes.

Há problemas óbvios também com outros personagens, às vezes agressivamente grosseiros (o canibal silencioso que tem uma “experiência divina”, o cardeal que também adere à prática do pupilo, o pedófilo que durante oito anos faz experiências para reconstruir seus órgãos genitais), às vezes estereotipados de maneira pueril, como o senador “corrupto” que compra a tudo e a todos.

Mesmo assim, estes desvios todos parecem fazer parte de uma estrutura maior, a do hiper-real, fruto de uma apropriação de elementos comuns aos quadrinhos, mas que o cinema ainda precisava experimentar em seus segmentos mais populares. “Sin City” vem, portanto, praticamente inaugurar uma tradição imaginativa, dentro de uma exposição controversa sobre os desígnios da violência dentro da arte. Se o filme é apenas lixo moral ajuntado e elaborado como se fosse uma obra de belas imagens, não há ainda como responder com certeza. Precisaríamos responder à questão: pode o lixo também ser arte?


Ciro I. Marcondes é formado em Letras pela UnB (DF). Trabalhou como crítico de cinema e música para diversos veículos como o portal candango (www.candango.com.br), site alucinaticos (atualmente fora do ar), Revista Senhor F (www.senhorf.com.br), revista Jungle Drums. (www.jungledrums.org)